
(Imagem: Isabella Salviano Barretto, 2024)
“Eu estava a fazer a visita guiada em plena Biblioteca, Piso Nobre, quando reparei que estava um grupo de franceses junto a uma das nossas entradas para o Piso Superior, junto aos painéis com as folhas d’ouro. Quando me aproximei, verifiquei que um dos turistas desse grupo estava com a unha a raspar o ouro, porque achava que… Aquilo que o guia dele lhe tinha dito, que era a questão de ser de folha de ouro, não era verdadeira, e, portanto, ele decidiu testar e começou a raspar com a unha.
Aqui eu fiquei extremamente enfurecida, porque eu estava a danificar a minha casa, no fundo, na minha instituição. E, obviamente, que fui lá falar em francês, se ele achasse que se eu fosse ao Louvre, fazer aquilo na Monalisa, o que é que me acontecia? Mas tudo em francês, tanto para ele perceber bem que nós estávamos a perceber. O senhor começou a me dizer que dommage, não é? Que tinha muita pena, mas eu disse que dommage não chegava, em francês, não é? E que portanto que ia chamar a polícia.
E basicamente veio o senhor J., que faz parte da história, e que agarrou-me ao turista e meteu-o na rua, e que foram chamados os archeiros para identificar esta pessoa. Ainda hoje sei perfeitamente onde falta o ouro. E cada vez que olho para lá, lembro-me desta história, porque sei exatamente o que aconteceu àquela folha d’ouro. [Pausa] Porque o senhor levou ouro da Universidade de Coimbra debaixo da unha.”
(Transcrição e edição a partir de relato em áudio).
Relato ocorrido em data desconhecida.
Autoria: | Catarina Alexandra Rodrigues Freire |
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Idade: | 38 |
Nacionalidade: | Portuguesa |
Secção: | Núcleo de Turismo da Universidade de Coimbra |
Cargo: | Funcionária | Coordenação |